Vegetarianismo e Yoga

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O que é ayurveda?

Ayurveda significa ciência (veda) da longevidade (ayur). A Medicina ayurvedica é um sistema desenvolvido pelos antigos Sábios da Índia, tendo a mesma origem dos sisntemas da meditação e yoga, baseado nos milenares Vedas (textos sagrados). Portanto é o sistema medico mais antigo do mundo que oferece um sistema único de tratamento baseado no estilo de vida, alimentação, uso de plantas medicinais, massagens, meditação, yoga e etc.

De acordo com a ciência, tudo o que há no universo, inclusive o homem, é composto pelos cinco elementos da natureza: espaço (também chamado de éter), ar, fogo, terra e água. E é a partir da combinação desses elementos que são construídos os três conjuntos de características físicas e psicológicas que dão origem a três perfis de seres humanos. Esses perfis são chamados de doshas. Cada dosha é formado no mínimo pela combinação de dois elementos.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), este é o quadro da saúde da população do mundo:
20% são saudáveis (bem-estar físico, mental, social, espiritual)
20% têm doenças estabelecidas (diagnosticáveis)
60% estão em desequilíbrio

É no último grupo que o Ayurveda pode trabalhar com melhores resultados, pois reconhece esses desequilíbrios antes que eles se transformem em doenças.
Para que a doença ocorra deve haver:
1.    Desequilíbrio do dosha
2.    Desequilíbrio do dhatu (enfraquecimento)
3.    Desequilíbrio do agni

Por meio de exames como pulso, língua, textura e temperatura de pele, cabelos e unhas, além de uma entrevista, é possível definir os doshas e os fatores em desequilíbrio que promovem doenças. E, assim, sugere-se um programa de tratamentos.

Doshas: o universo em você

Extraído do livro Ayurveda – Cultura de Bem-viver, de Márcia De Luca e Lúcia Barros

“A essência de todos os seres é a terra.
A essência da terra é a água.
A essência da água são as plantas.
A essência das plantas é o ser humano.”
(Upanishads)

Segundo o Ayurveda, somos o microcosmo que reflete o macrocosmo — uma parte do todo que contém o todo.

Outra forma de entender isso é pensar que assim como nosso corpo é formado por trilhões de células individuais, cada um de nós é também uma célula do imenso organismo chamado universo. Assim como nossas células corporais, cada um de nós tem uma existência própria, mas não somos suficientemente livres para viver independentemente do todo. Portanto, tudo o que existe no mundo externo tem sua contrapartida no mundo interior de algum ser vivo.

Os três doshas

Esses cinco elementos ou forças organizam-se em três princípios essenciais: movimento, metabolismo e estrutura. Combinados em proporções únicas e individuais, eles são responsáveis por todas as funções de nossa mente e de nosso corpo, gerando nossa constituição psicofísica, ou dosha (palavra sânscrita, pronuncia-se “dôsha”). Os doshas podem ser entendidos como três biótipos: vata, pitta e kapha — que são, efetivamente, ar, fogo e água, respectivamente.
Vata
União de espaço e ar. Vata é o princípio da energia cinética. Regula todo o movimento do corpo e da mente. Tudo o que se move, da molécula ao pensamento, o faz por causa de vata. Em sânscrito, significa literalmente “aquilo que movimenta as coisas”.

Sua função é colocar a energia em movimento e dar-lhe uma direção. Diz respeito principalmente ao sistema nervoso. É responsável por: pensamento, atividade neuromuscular, respiração, circulação e movimento peristáltico. Está diretamente conectado ao tecido (dhatu) osso.

Qualidades do elemento ar: frio, leve, seco, irregular, violento, inconstante, ágil e instável.
Pitta
Resultado de fogo (muito) e água (pouca). Regula a fome, a sede e todos os processos de transformação que ocorrem no corpo, como a digestão. Representa o metabolismo e a energia potencial, que dá brilho ao olhar. Em sânscrito, pitta quer dizer “aquilo que digere as coisas”.

Sua função é gerar energia. Diz respeito principalmente aos sistemas digestivo, endócrino e enzimático. É responsável pela clareza mental, percepção visual, digestão, metabolismo e regulagem da temperatura. Está diretamente conectado ao tecido (dhatu) sangue.

Qualidades do elemento fogo: quente, leve, intenso, perspicaz, mordaz, impetuoso e cáustico.
Kapha 
Mistura terra e água. É a influência estabilizadora que lubrifica, mantém e contém. É o dosha responsável pelo acúmulo de gordura no corpo e retenção de líquidos. Em sânscrito, kapha é “aquilo que mantém as coisas juntas”.

Sua função é regular a energia. Diz respeito principalmente ao sistema linfático. É responsável por dar suporte e nutrir o sistema nervoso, lubrificar o trato digestivo, as articulações e o trato respiratório, regular água e gordura. Está diretamente conectado a cinco dos sete tecidos (dhatus) do corpo humano: plasma, músculo, gordura, medula e fluido reprodutivo.

Qualidades do elemento Terra: frio, pesado, sólido, estável, suave e lento.

Equilíbrio e desequilíbrio

Todas as formas de vida combinam os três doshas, cada qual de maneira única. No momento em que o espermatozóide do seu pai fecunda o óvulo da sua mãe, ambas as células carregam em si porcentagens específicas de vata, pitta e kapha do momento de vida do seu pai e da sua mãe, gerando assim a porcentagem individual do novo ser. Essa porcentagem determina a prakriti, ou seja, nossa natureza, nosso ideal, independentemente da quantidade existente. Isso quer dizer que não é necessário termos 33,3% de cada dosha para que nossa natureza seja boa — toda prakriti é boa quando equilibrada.
Porém, com o passar do tempo, sofremos influências externas — como as estações do ano, nossa idade, alimentação, o clima, nossas emoções. Diante de todas essas influências, nossa prakriti se desequilibra, tornando-se então vikriti, que em sânscrito quer dizer “deturpação”.

Em perfeito funcionamento, os doshas proporcionam a saúde e o equilíbrio entre corpo e mente. Como a maioria dos seres humanos vive em vikriti, volta e meia nós adoecemos.
Na natureza, os elementos também sofrem desequilíbrios: um furacão representa desequilíbrio de vata; calor excessivo é um desequilíbrio de pitta; uma inundação é desequilíbrio de kapha.

Atualmente, vivemos em uma era vata, dominada pelo movimento — o que gera ansiedade, medo, insegurança. Isso é especialmente nocivo para as pessoas de vata, mas também afeta negativamente kapha e pitta.

Quando os doshas entram em desequilíbrio em nossas constituições, ou seja, quando passamos a viver em vikriti, geramos doenças. O processo tem início com o acúmulo de toxinas — ama, em sânscrito — em nossa fisiologia. Essas toxinas impedem o fluxo natural e espontâneo da energia, gerando um primeiro desequilíbrio que se manifesta como fadiga, cansaço, mal-estar.
Esta é a primeira fase das doenças. Ayurveda preconiza que saúde não é apenas ausência de doença, mas o completo bem-estar físico, mental e emocional — mesma definição da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas, com o aumento natural da ingestão de toxinas — que rodeiam a todos nós, em todos os momentos de nossa vida —, o desequilíbrio se alastra e será acumulado em um órgão específico, gerando uma doença também específica. Cada um dos doshas tem um órgão onde “reside”, onde fica sua “sede”, por assim dizer. Dependendo do dosha que se desequilibrou, portanto, é em seu órgão-sede que provavelmente a doença se manifestará.

Vata, que como já vimos representa a qualidade do movimento, é o líder dos doshas, pois sua combinação de Espaço e Ar é necessária para que tudo o mais exista no universo. Então, pitta (Fogo e pouca Água) e kapha (Água e Terra) dependem de vata para existir. Porém, móvel e instável, vata é bastante suscetível a se desequilibrar. E, quando o rei dos doshas se desequilibra, os outros tendem a segui-lo. Os textos clássicos de Ayurveda atribuem 80 tipos de doenças a vata, 40 a pitta e 20 a kapha — este, o mais estável dos três.

O bem-estar do ser humano depende do equilíbrio entre os doshas, essas energias sutis. Mas um ou dois deles tendem sempre a se destacar, definindo traços de personalidade, metabolismo e aparência física. O dosha que se destaca é aquele que dizemos ser o dosha da pessoa. Se, então, você ouve alguém falar que “é vata”, ou “é de vata”, isso significa que vata é seu dosha predominante. Se alguém é pitta-kapha, é porque esses dois doshas se sobressaem em sua constituição.

A determinação do dosha de cada pessoa é possível pela observação de suas características. Por exemplo: vata é associado a frio, secura, velocidade e leveza; pitta, a calor, acidez e clareza mental; e kapha, a frio, peso, oleosidade e lentidão. É importante sabermos determinar as porcentagens e combinações dos doshas em nossa fisiologia para que possamos minimizar os desequilíbrios.

Soma que subtrai
Um dos princípios básicos de Ayurveda é que os semelhantes se reforçam (em inglês, like increases like). Como o objetivo desse sistema de cura é o equilíbrio, não queremos reforçar o que já é predominante, pois essa soma subtrai saúde. O que queremos é trazer para nossa constituição aquilo que temos em menor quantidade. Assim, vata pode ser equilibrado por tudo que seja quente, úmido, oleoso — características opostas às suas. Pitta pode ser reduzido por tudo que minimize o calor e a acidez — ou seja, pelo frio e pelo doce. Kapha é contrabalançado por tudo que dinamize, esquente e compacte.

Com essa regra básica em mente — equilibrar a energia que já se tem em demasia pela introdução de seu oposto —, você pode encontrar os melhores caminhos para balancear seu dosha. Ayurveda nos ensina quais as ferramentas existentes e como usá-las para equilibrar nossa constituição, com o objetivo de estar o mais próximo possível de nossa prakriti — nossa constituição ideal. Viver em prakriti não é sinônimo apenas de uma vida saudável, mas também muito mais prazerosa.

Gunas
Da mesma forma que os doshas influenciam o corpo, as gunas influenciam a mente. São esses três atributos que, segundo o dr. Vasant Lad em seu livro Ayurveda — A ciência da autocura (ed. Ground), fornecem a base para a distinção do temperamento humano. São eles:
Sattva: inteligência, partilha e equilíbrio. As pessoas sattvicas, segundo o dr. David Frawley em seu livro Uma visão ayurvédica da mente (ed. Pensamento), têm uma natureza harmoniosa e adaptável, que reflete em uma maior imunidade às doenças, tanto físicas quando mentais. É também sattva que realiza o despertar da mente.
Rajas: energia, a qualidade da mudança, da atividade e da agitação. Causa o desequilíbrio, mas é necessário para tirar uma pessoa da condição de inércia, quando os métodos sattvicos não são suficientes.
Tamas: é a substância, a qualidade da inércia, da escuridão e da ignorância.

TRATAMENTOS

Uma opção de tratamento muito utilizado no Ayurveda, são as massagens:

Abhyanga: massagem com aplicação de óleo.
Udwartana: massagem com aplicação de pó de ervas e fricção um pouco mais vigorosa. É usada como tratamento para emagrecimento. As ervas usadas variam também de acordo com o dosha.
Garshana: massagem de fricção forte com sal grosso e cânfora, ou outros pós. Serve também como uma limpeza do corpo sutil.
Shirodhara: um fio de óleo flui continuamente no ponto entre as sobrancelhas. Bom para problemas neurológicos e de pele. Induz o paciente a um estado meditativo.
Basti externo – Pequenas piscinas de óleo são aplicadas nas regiões que necessitam de tratamento.
“Existe em cada pessoa um lugar livre de doenças, que nunca sente dor, nunca envelhece nem morre. Quando você alcança este lugar, as limitações que todos aceitamos deixam de existir” Deepak Chopra

Moola mantra

Este é o “Moola mantra”… Moola significa raiz. Mantras são palavras de poder, instrumentos que nos auxiliam a ir além da mente ordinária, em direção ao todo, Sat chit ananda.

HARI OM TAT SAT

OM SAT CHIT ANANDA PARABRAHMA

PURUSHOTHAMA PARAMATMA

SRI BHAGAVATI SAMETHA

SRI BHAGAVATE NAMAHA

HARI OM TAT SAT

 

Aum/Om – Som original do Universo

Sat – Existência

Chit – Consciência

Ananda – bem aventurança

Parabrahma –O maior de todos, Deus, O-sem-forma, Aquele que está além do espaço e do tempo

Purushotama – A energia que encarna como um avatar para nos guiar (Jesus, Buddha, Kalki)

Paramatma – O Divino presente em cada ser

Sri – Palavra que designa tratamento cerimonioso a uma alta consciência

Bhagavathi – O aspecto feminino da criação

Sametha – Em conexão com

Bhagavethe – O aspecto masculino da criação

Namaha – Eu me entrego, reverencio tudo isto