Deixa nascer, deixa parir. A liberdade da chegada!

Deixa nascer, deixa parir!
A Liberdade da chegada.

Nascimento da minha primiera filha, Valentina. Será que fiquei feliz com o presente? É só olhar minha expressão no rosto. Dor de parto? Alí já não tinha mais desconforto, só amor.

Não tem jeito certo de chegar. Foi o que aprendi depois de dois partos. O primeiro durou 46 horas até o nascimento da Valentina; o segundo mal totalizou quatro e a Violeta quase nasceu no carro. Meu marido nem a viu chegar ao mundo. Mas assim as duas vieram. No tempo delas, da forma delas. Fiz escolhas. Planos. Sonhei. Mas no fim, minha maior escolha foi simplesmente permitir que minhas filhas encontrassem o próprio caminho de chegada. E as viagens foram lindas.

Esta foi a primiera foto que conseguimos tirar do nascimento da Violeta, foi tudo tão rápido que só tinha eu e a médica no momento. Quando o pai chegou foi direto cortar o cordão umbilical e a médica tirou a foto.

Em 2014, no meu primeiro parto, a expectativa era imensa. Tudo novo.  Foram momentos de muitas sensações. Senti entusiasmo, amor, medo, dor, prazer e dúvida. O processo de autoconheciemento que passei durante as muitas horas do trabalho de parto foi enorme e a Valentina só foi nascer depois que muitos pensamentos foram digeridos pelos meus corpos físico, emocional e mental. São processos de uma vida que surgiram e se dissiparam no processo do parto. Antes de uma chegada, alguma coisa teve que partir ali. E partiu.

Piscina na minha casa para amenizar a dor do trabalho de parto da Valentina antes de resolvermos ir para o hospital.

Queria que a Valentina chegasse em casa, tranquila. Preparei tudo para isso. Mas o caminho dela não foi esse. Quando minha dilatação estava com oito dedos fomos todos para o hospital. Na sala de parto natural, equipada com banheira, chuveiro, teto iluminado como estrelas, som lá estava a minha médica Dra. Dolores Nishimura cheia de entusiasmo pronta para finalizar o parto conosco.

Quando minha filha veio ao mundo, todos sorriram, enquanto eu, sentada num banco de parto, sentia temperatura alta do copo da bebê tocando a minha pele. Quanto calor. Em cada instante fui tratada com muito respeito como a protagonista do parto, fazendo minhas escolhas. Valentina foi direto para as mãos do pai que entregou para o calor do meu peito. Nos meus braços ela ficou por um tempão, chorou, se aquietou, mamou. O amor tomou conta de mim.

Com a Violeta foi tudo muito diferente. Foi um estado de transe. Eu entrei em um estado de tanta concentração, conexão com o meu corpo, foi como uma profunda meditação. Nem conseguia abrir os olhos. Depois de duas contrações intensas, em casa, que me travaram o corpo, eu já sabia. No carro a caminho do hospital eu senti o deslocamento da cabeça dela, já coroando.

Flor Violeta no colo da mamãe uma hora depois do nascimento.

Percebi que tinha que deixar fluir, relaxar meu corpo. Meu exercício era esse. Quanto mais eu relaxava, mais força meu corpo fazia para expulsar a bebê, eu não tinha como segurar. Eu relaxei e deixei a natureza agir. Do tempo que sai do carro até ela nascer foi um minuto. Ela nasceu ali, na sala de pré-parto do hospital. Eu na cadeira de rodas, de joelho, apoiada no encosto. Foi assim. Quase como expirar. Vida, sopro, força. Minha filha estava aqui. Mais uma vez fui um canal de uma nova existência que escolheu seu jeito e tempo de chegar. Minha força foi deixar. E agradeço até hoje por ter dividido tão intimamente o meu corpo com a Valentina e a Violeta.

Esta foto foi tirada no mesmo dia do nascimento da Violeta. Estava esperando um dia bonito para registrar a gravidez, quase que não da tempo!

Parto humanizado, Yoga e Ayurveda

Nos dois partos tive uma equipe humanizada, o que foi essencial para minha tranquilidade e para que eu me sentisse a vontade durante todo o processo. Humanizar é acreditar que a gestação e o parto são eventos fisiológicos perfeitos – salve algumas exceções que precisam de cuidados especiais (15 a 20% das gestantes). Minhas vontades foram respeitadas. Meu marido estava do meu lado. Eu estava confortável. Meu corpo e o tempo das minhas filhas foram os protagonistas. Com informação e acolhimento de uma equipe de profissionais da sua confiança, o parto está encaminhado. Aproveite a fase inicial da gravidez para trocar experiências com outras mulheres e famílias, frequentar grupos de grávidas e encontrar o que funciona melhor para você, o que te deixa mais segura para esse processo.

Dra. Dolores Nishimura e as duas pequenas que tiveram o privilégio de trocar energias com esta médica tão competente e doce. Minha eterna gratidão.

Equipe completa de parto humanizado – É muito profissionalismo, respeito e amor!

Além disso, a prática de yoga e os cuidados de acordo com o ayurveda foram meus companheiros nesta fase de gestação.  A gravidez é um momento muito especial para a mulher por ser um período em que o corpo passa por profundas transformações, desenvolvendo novas sensações, alterações hormonais e de sensibilidade, além do despertar e da intensificação de fatores emocionais.

O yoga na gestação é para mulheres que desejam cuidar da própria saúde física, emocional, mental e estabelecer uma relação de carinho e amor com o seu bebe. Assim se prepara trazendo mais segurança para a hora do nascimento e pode ser praticado em todas as fases da gestação de forma segura, desde que esteja bem adaptada a condição de cada gestante.

No Ayurveda existem muitos cuidados que inseri durante a gestação, mas o que eu mais gostava era de receber massagem! Momentos de grande intimidade com minhas bebes, relaxamento e confiança que tudo iria acontecer da melhor maneira transbordavam do meu ser quando eu recebia a maravilhosa Garbhini abhyanga. É claro que no ayurveda existem recomendações de alimentação, ervas, estilo de vida para esta fase tão magnífica da vida uma mulher.

Agradeço ao divino por esta oportunidade.

Com amor,

Simone Saavedra

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