Vivenciando o Presente

Por Eliane Clal

Trabalho de Conclusão do Curso de “Formação em Yoga como suporte do Ayurveda 2020”.

Vivenciando o Presente

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é por si só, uma vida.” – Sêneca.

Quando li essa citação de Sêneca, que entre outras atribuições foi um filósofo do Império Romano e viveu entre 4 a.c e 65 d.c, me questionei profundamente o motivo pelo qual a sociedade em que vivemos hoje ignora quase que totalmente o tempo presente. Vivemos o passado e no futuro, mas o dia a dia, o momento do agora, acaba não sendo importante, geralmente é um meio para chegar ao destino final. Para chegar ao tão esperado momento de nossa vida em que tudo será melhor, fará sentido. Para chegar ao momento futuro que não temos qualquer certeza de como se mostrará para nós. Outra curiosidade sobre o tempo: será que é por isso que estamos mais e mais tirando fotos, fazendo vídeos e postando nas redes sociais? Para registrar o momento que não vivemos? Pois mesmo que isso seja um “escape”, uma tentativa de se mostrar presente naquela situação, a verdade é que depois nos vemos presos ao passado, assistindo “registros” de momentos presentes que quase nunca são vividos e quase nunca são sentidos. Ou seja, ficamos presos ao passado e nem nos damos conta disso.

Praticando Yoga há nove anos e assimilando ao longo de todo esse tempo esse aprendizado tão importante, hoje posso dizer que diariamente me lembro, ao longo do dia, a importância de viver o “agora”, de ter consciência sobre o momento presente, mesmo que não seja o dia todo (ainda).

O mais intrigante quando pensamos em Sêneca, da citação acima, é que essa frase tão direta, tão cheia de sentido, foi dita 2000 anos atrás. Há muito tempo a humanidade já sabe a verdade, que o que temos de fato, de real nas mãos, é o presente. Mas, porque não vivemos dessa forma? Vivenciando o aqui e o agora?

Um dos significados da palavra “Vivenciar” é: “Viver determinado momento de modo que o mesmo tenha um significado profundo”. Como fazer isto acontecer em nossas vidas? O que pode nos despertar ao menos um caminho para essa libertação do tempo, vivendo o momento presente?

E, porque isso nos parece tão distante da nossa realidade e tão inalcançável? O que nós, como seres humanos, estamos fazendo pela nossa qualidade de vida e a nossa busca pela paz e de todos os seres que aqui habitam? Como vivenciar o presente pode nos tornar seres melhores?

O Yoga e o Presente

Viva unicamente no presente, não no futuro. Faça hoje o melhor que puder; não espere o amanhã.” – Yogananda.

No início desse meu caminho pelo Yoga, confesso que o simples comando de “deixar os problemas do lado de fora da sala de prática”, de “deixar o passado e o futuro de lado naquele momento, vivenciando o momento presente”, era algo impensável, impraticável. Causava inclusive, certa angustia, pois aquilo era simplesmente impossível. O mesmo acontecia no momento da meditação. Como fazer a mente se aquietar, ter foco exclusivo na respiração e deixar os pensamentos alheios à prática de lado? Depois de muitos anos, eu soube qual era a resposta: treino. Treino para ter consciência. Treinar a mente. Treinar seu coração, sua alma de que sim, você pode deixar pensamentos do passado e do futuro não te “comandarem” e você pode vivenciar plenamente o momento presente. Mesmo que não seja o dia todo. A vitória, a grande conquista para mim, é saber que eu posso, em determinados momentos viver o agora. Confesso que gostaria de conseguir manter essa atitude mais tempo ao longo do dia, mas também compreendo que tudo é um caminho a ser percorrido e a simples intenção de tentar já é um grande passo para chegar lá.

O Yoga ajuda a mente a focar no presente. A prática auxilia na melhora da concentração, da memória e da coordenação motora. Aliado às posturas físicas, o Yoga proporciona uma maior capacidade de resolver problemas e recordar informações. Assim, a tranquilidade obtida por meio das posturas e meditação ajuda no controle de pensamentos negativos e estressantes. Pensamentos esses que estão enraizados em nosso passado e projetados em nosso futuro, que faz com que nossa mente controle o nosso Ser e impeça a vivência do Aqui e Agora em paz.

Tudo na vida é Yoga, uma vez que a vida tem como objetivo consciente ou inconsciente a reintegração no cosmos. É um modo de tomarmos consciência do movimento natural de abandono do individual para voltarmos ao todo.

O Yoga me ensinou o quanto é importante viver o presente. Conhecer o Yoga, praticá-lo e vivê-lo, pode ser um desses caminhos para chegar lá, para se perceber no presente e entendendo que somente o aqui e o agora é o que temos de real em nossas vidas.

Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha.” – Chico Xavier.

Meditação: o início de tudo

O Yoga surgiu a partir das práticas meditativas da tradição dos Shramanas, que eram os acetas que se recolhiam nas florestas com o questionamento sobre a existência de algum valor inerente na vida, que a fizesse valer a pena.

Dhyana é a palavra em sânscrito que significa meditação. É um dos três estágios de aquietamento mental (os outros dois são: abstração dos sentidos “Pratyahara” e a concentração “Dharana”). A prática de Dhyana conduz ao estágio meditativo, chamado no Yoga de Samadhi.

Meditar é estar com o corpo relaxado e a mente aberta, acionando o melhor de si. É integrar corpo, mente e espírito.

A meditação é a base para todo o conhecimento verdadeiro. Geralmente está associada à filosofias de vida que visam à ampliação da consciência. Ela não é exclusividade do Yoga, ainda que tenha se desenvolvido nele. Por meio da meditação atinge-se o mais elevado objetivo do Yoga e do ser-humano – Moksha, a libertação.

meditação é uma técnica que desenvolve habilidades como a concentração, tranquilidade e o foco no presente. E, na prática de Yoga, a meditação é o ápice da prática.

É importante entender que meditar não é “limpar a mente” ou “esvaziar a mente”. Meditar é treinar a mente para que ela vá para onde você quer que ela esteja. Você pode sentar e focar sua atenção na respiração, mentalizar um mantra, observar a chama de uma vela, levar o foco para um ponto do seu corpo ou fazer uma visualização. O importante é que escolher um foco e manter sua mente focada nele pelo tempo que se propõe a praticar a meditação.

Dentre os diversos benefícios em meditar, uma delas é nos libertar das crenças limitantes. Isso acontece quando aprendemos a lidar com nossos sentimentos, de maneira saudável. Ao focar no presente, ao invés de revirar e reviver acontecimentos passados deixamos de nos definir pelo que foi feito, o que já passou. Paramos de nos definir pelos nossos erros.

Ao adentrar o caminho da meditação, conhecemos nossa essência mais profunda, passando por diversas camadas de consciência do ser, desde o corpo físico denso e palpável até o Brahman, fonte de toda a criação e Ser Universal.

Muitas vezes perdemos a vida enquanto estamos amarrados ao passado ou preocupados com o futuro. Devemos aprender a estar totalmente presentes, para desfrutar de cada momento como se fosse o primeiro e o último. Não devemos mergulhar no passado ou sonhar demasiadamente com o futuro, pois se concentrando no momento presente é onde você vai encontrar as chaves para a felicidade.

A meditação é, em minha opinião, a melhor forma de nos conectarmos no aqui e agora. E tentar trazer esse estado de presença para o nosso dia a dia é o grande desafio, que apesar de nos parecer inalcançável, não somente é possível como pode nos trazer um estado de equanimidade libertador para as nossas vidas.  

O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sabia e seriamente o presente” – Buda.

Como viver no aqui e agora

Toda a sua vida, tudo que você viveu até hoje só tem sentindo no momento presente, no aqui e agora. Todos os fatos que ocorreram na sua vida até o presente momento contribuíram e arquitetaram, para que você estivesse fazendo exatamente o que está fazendo agora.

Sabemos que o passado já passou e o futuro ainda não chegou. É claro que é ótimo ter sonhos e esperança no futuro, mas só tem um bom futuro quem faz um bom presente. A verdade é que somente o presente nos oferece a possibilidade de sermos melhores, de fazermos o que tem de ser feito, de valorizar, de ser feliz, de amar, de colocar-se a trabalho. Somente no presente encontramos ferramentas para fazer de nossos projetos uma realidade.

Mas como fazer isso? Por que é tão difícil desapegar do passado e do futuro, se concentrando no presente?

O primeiro passo é entender que você não é a sua mente, cheia de pensamentos e seu maior juiz. Aquele que a cada segundo está lembrando você que algo não dará certo considerando tudo o que já lhe aconteceu no passado e que somente no futuro, a paz chegará. Sua mente é um instrumento que trabalha para você, mas ela não é você. Por isso, ela deve, através da sua intenção e de seus comandos, focar no presente momento.

É uma questão de prática, de um exercício que pode ser libertador para o seu Ser. Afinal, é você quem comanda seu destino e não as infinitas vozes que sua mente cria, gerando ruído e nos aprisionando em experiência vividas com a promessa de que lá na frente, tudo fará sentido. O que faz sentido está no agora. Nem antes, nem depois.

Nossos pensamentos estão a maior parte do tempo no passado ou no futuro porque nós os treinamos assim (mesmo que sem consciência disso). Para nossa mente se acostumar com novos hábitos mentais, precisamos passá-los pelo mesmo processo pelo qual adquirimos os antigos.

No começo, como tudo aquilo que queremos mudar em nós, é difícil, cansativo e exige esforço. Porém, com paciência e perseverança é possível transformar essa dificuldade em facilidade.

Você pode incluir algumas práticas que vão redirecionar a sua mente para um novo tempo – o presente – dentro das atividades que já faz no dia a dia. Utilizando essas práticas algumas vezes por dia você tirará seus pensamentos da “zona de costume” e estará treinando a sua mente para que ela consiga se manter cada vez mais no momento presente, naturalmente. O que ajuda bastante é, de maneira consciente, “observar” a sua mente algumas vezes durante o dia. Como um observador que se vê de fora para dentro, pare a analise o que está pensando: tem a ver com o passado? Tem a ver com o futuro? Seu pensamento é do momento “agora”? Sem julgamentos observe esses pensamentos. Está com raiva? Está feliz? É referente a algo que está acontecendo nesse exato momento? Ou são lembranças ou projeções? Dê um comando para que sua atenção se volte ao presente. No começo, rapidamente perdemos o foco e a mente volta a nos “bombardear” com pensamentos variados, mas fazendo isso algumas vezes ao dia, mais e mais; estaremos treinando a nossa mente para atingirmos esse objetivo que nos parece tão distante, mas que é algo tão simples: viver o dia de hoje, agir e pensar no dia de hoje. Aceitar e acolher os sentimentos que o dia de hoje nos traz e não ao que já se passou ou não existe.

Em relação ao que estamos planejando para mais adiante: você tem algum sonho nesse momento, projeto para o futuro? Mantenha seus planos, mas não se esqueça de viver o agora, de absorver o seu momento presente, mesmo que seu projeto lhe pareça algo muito mais grandioso que seu momento atual. Afinal, todos os dias podem nos surpreender com pequenas surpresas, alegrias, amor e autoconhecimento. O inesperado da vida pode lhe trazer hoje algo maior, melhor ou que faça mais sentido em sua vida do que o que foi projetado para acontecer adiante, na sua mente. Além do mais, somente suas atitudes no dia de hoje podem de fato fazer acontecer qualquer coisa futura. Sem sua presença real no agora, nenhum sonho ou projeto pode se concretizar.

Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho.”
Fernando Pessoa.

Mindfulness

De acordo com o pesquisador americano, Jon Kabat-Zinn, criador do MBSR (Mindfulness-Based Stress Reduction) ou Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness, que foi o primeiro treinamento científico estruturado de Mindfulness no ocidente, Mindfulness é: “Uma consciência que emerge ao estar atento ao presente momento, de forma intencional e sem julgar.”. Da mesma forma, para Jon Kabat-Zinn, Mindfulness é um estado de consciência que se manifesta quando voltamos a nossa atenção ao que está presente na nossa experiência no momento a momento, com a intenção genuína de cultivar essa consciência com uma atitude de não julgamento. Também podemos chamar isso de uma habilidade cognitiva que nos permite entrar em contato com o que quer que esteja presente na nossa experiência com mais discernimento, menos reatividade e maior equilíbrio emocional.

Mindfulness é uma qualidade da mente, é a capacidade de estar presente e conscientemente saber o que está acontecendo na sua experiência a cada momento. Podemos aplicar essa atenção à nossa mente, corpo, ou ambiente. Apesar de todos nós termos acesso a essa qualidade nata de atenção e presença, leva-se um tempo de prática, paciência e perseverança para que isso se torne parte integral de quem somos. E é justamente isso o que é feito com essas práticas de Mindfulness e também do Yoga, treinando a mente e ensinando-a sobre estabilidade, permanência e abertura.

A prática de Mindfulness (atenção plena) tem sua origem nas práticas de meditação budistas Samatha e Vipassana. A palavra para Mindfulness na língua original Pali (antiga língua budista) é “sati”. Sati é, na verdade, um verbo, que significa lembrar. 

Mas e quanto ao Mindfulness no Yoga? Os yogis antigos não praticavam viver no momento presente quando estavam sentados em cima de suas peles? A resposta é: sim! A palavra em sânscrito para sati é smrti, que significa lembrar, manter algo em mente. No clássico texto sobre Yoga de Patanjali chamado “Os Yoga Sutras”, a palavra smrti é descrita como uma qualidade mental necessária para atingir dharana (concentração) e, então, dhyana, que é o estado de total absorção pelo objeto de atenção.

Em um sentido mais prático e cotidiano, smrti é a atenção curiosa às sensações do corpo e à respiração durante as práticas de Yoga. Estamos sempre nos lembrando de estarmos presentes com nossos corpos enquanto praticamos asanas, pranayamas ou meditação. É uma intenção e também uma técnica.

Para o praticante de Yoga que sabe o que está fazendo, enquanto ele alonga seu quadril, o mesmo está consciente das sensações físicas, sabe onde anda a sua mente e está consciente se existe aversão às sensações ou não. Caso essa seja a sua experiência, então você está “mindful” e atento durante sua prática. Isso também pode acontecer enquanto lavamos a louça ou tomamos banho. Podemos trazer Mindfulness em qualquer situação e momento de nossa vida. E o oposto também é verdade, podemos praticar Yoga ou lavar a louça totalmente no piloto automático e sem presença alguma. Depende da intenção, atitude e atenção que trazemos para a prática ou para o que quer que façamos na vida. Para muitos de nós, o corpo em movimento, ao invés dele sentado em meditação, propicia uma experiência mental mais calma, e uma capacidade maior de observar nossa experiência.

A atenção plena nos encoraja a romper com os hábitos de pensamento e comportamento que nos impedem de aproveitar plenamente a vida. Grande parte da autocrítica e dos julgamentos internos surge a partir da maneira como costumamos pensar e agir. Ao quebrar algumas de nossas rotinas diárias, aos poucos dissolvemos alguns desses padrões de pensamento negativo, nos tornando mais atentos e conscientes, É espantoso notar como a felicidade e a alegria reaparecem, mesmo fazendo apenas pequenas mudanças em nossa maneira de viver.

 Uma das técnicas de Mindfulness que podemos aprender num programa de Mindfulness para nos ajudar a lidar com estresse e pensamentos ou emoções difíceis tem o acrônimo S.T.O.P. a ela associado. O objetivo dessa técnica é ajudar-nos a fazer uma pausa e direcionar nossa atenção ao que está acontecendo em nosso ambiente interno quando estamos sob estresse e temos acesso limitado aos nossos recursos internos. A letra P no acrônimo significa “prosseguir” e nos encoraja, após termos percebido as sensações, os pensamentos e as emoções que estão surgindo para nós em um momento de estresse, a agir de acordo com o que sentimos que seja certo para nós.

Curiosamente, parece ser a mesma técnica que Krishna ensinou para Arjuna na Guerra de Kurukshetra, do Bhagavad Gita. Quando Arjuna pergunta a Krishna o que fazer a respeito do seu dilema (iniciar ou não uma guerra contra seus familiares), ele recebe orientação de Krishna, que diz: “Após estabelecer sua atenção no momento presente, execute a ação”.

Esse conselho aponta para a permanência no estado de atenção plena (smrti) em relação a todos os fenômenos surgindo e desaparecendo em nosso corpo, na respiração e em nossa mente no momento presente. Depois de aplicar essa técnica, Arjuna emerge de sua meditação sabendo, sem duvida nenhuma, o que precisaria fazer e prossegue para liderar seu exército para a batalha.

Mindfulness pode ter suas origens no Budismo, mas não é estranho à prática e filosofia do Yoga. Então, ao praticarmos asanas, pranayamas e meditação com atenção plena às nossas experiências, praticamos Mindfulness.

No livro “Atenção Plena – Mindfulness – Como encontrar a paz em um mundo frenético”, é detalhado um programa de oito semanas que podem ajudar a alcançar essa atenção plena. Resumidamente, o programa conta com as seguintes etapas:

  1. Semana: ajuda a perceber o “piloto automático” da nossa mente e encoraja a explorar o que acontece quando “despertamos” desse piloto automático. É induzida uma Meditação do Corpo e da Respiração que ajudam a estabilizar a mente, mostrando a diferença que faz quando você se concentra plenamente em uma coisa de cada vez
  2. Semana: com a Meditação da Exploração do Corpo, somos auxiliados a explorar a diferença entre “pensar” sobre uma sensação e “experimentá-la”. Como passamos uma grande parte do tempo vivendo em “nossa cabeça”, essa meditação nos treina para vermos com clareza quando a mente começa a divagar, nos ensinando a diferença entre “mente pensativa” e “mente sensitiva”
  3. Semana: combina as práticas da semana anterior com algumas posturas de Yoga. Com asanas simples do Yoga é possível enxergar melhor quais são os nossos limites físicos e mentais e como reagimos quando o atingimos. Essa técnica nos ajuda a perceber como nos sentimos, principalmente quando não temos o resultado esperado ou desejado, aplicando de maneira mais ampla para as situações que acontecem em nosso dia a dia
  4. Semana: é apresentada uma meditação de Sons e Pensamentos que ajudará a ver os pensamentos como eventos que vão e vêm, assim como os sons. Isso aumentará nossa consciência sobre esses pensamentos e encorajará a ver nossas atividades e problemas por uma perspectiva diferente
  5. Semana: apresenta a Meditação de Explorar as Dificuldades, ensinando a enfrentar (e não evitar) os contra tempos que surgem em nossas vidas. Muitos dos nossos problemas se resolvem sozinhos, mas alguns precisam ser encarados com abertura, curiosidade e compaixão. Não aceitar as dificuldades pode atrapalhar ainda mais a nossa vida
  6. Semana: mostra como os pensamentos negativos são dissipados quando cultivamos a ternura e a compaixão por meio de atos de generosidade e da prática da Meditação da Amizade*. Nutrir uma postura amigável em relação a nós mesmos, independente do que achamos ser fracasso ou insuficiência é a base para encontrar a paz nesse mundo frenético
  7. Semana: explora a estreita relação entre nossa rotina, nossas atividades, nosso comportamento e nosso humor. A meditação desta semana enfoca seu uso para fazer escolhas melhores, de modo que possamos fazer mais coisas que nos dão prazer, limitando os efeitos daquelas que drenam nossos recursos. Isso irá gerar um circulo virtuoso que trará maior criatividade, resiliência e capacidade de aproveitar a vida como ela é

Segue abaixo uma das meditações indicadas – Semana 6 “Meditação da Amizade”. As demais constam no livro informado acima.

Leve alguns minutos para se acomodar num lugar confortável onde possa ficar sozinho, relaxado e alerta.

Ache uma postura que corporifique uma sensação de dignidade e despertar. Se estiver sentado, deixe a coluna ereta, os ombros relaxados, o peito aberto e a cabeça equilibrada.

Concentre-se na respiração e depois expanda a atenção para todo o corpo por alguns minutos até se sentir acomodado.

Quando a mente divagar, reconheça aonde ela foi, lembrando que você tem uma opção agora: pode conduzi-la de volta para aquilo que pretendia se concentrar, ou então permitir que sua atenção desça até o corpo para explorar onde você está experimentando o problema ou a preocupação. Sinta-se livre para usar qualquer uma das meditações anteriores como parte de sua preparação para esta.

Quando estiver pronto, permita que algumas destas frases – ou todas – venham a sua mente, mudando as palavras se quiser, de modo que elasse conectem com você e se tornem seu portal particular para uma sensação profunda de amizade consigo mesmo:

“Que eu me sinta seguro e livre do sofrimento”

“Que eu me sinta tão saudável e feliz quanto possível”

“Que eu viva com tranquilidade”

Sem pressa, imagine que cada frase seja um seixo lançado num poço profundo. Você está lançando um após o outro, depois procurando ouvir qualquer reação em pensamentos, sentimentos, sensações físicas ou impulso para agir. Não há necessidade de julgar o que surgir. Caso ache difícil evocar uma sensação de amizade para onsigo, traga à mente uma pessoa ou um bicho de estimação que, no passado ou no presente, amou você incondicionalmente. Uma vez que tenha uma clara ideia do amor dela por você, ofereça esse amor a si mesmo: “Que eu me sinta seguro e livre do sofrimento. Que eu me sinta saudável e feliz. Que eu viva com tranquilidade.”.

Permaneça nessa etapa o tempo que desejar antes de passar para a seguinte.

Então pense em um ente querido e desse-lhe esse mesmo bem: “Que ele se sinta seguro e livre do sofrimento. Que ele se sinta saudável e feliz. Que ele viva com tranquilidade.”.

De novo, observe o que surge na mente e no corpo ao manter essa pessoa na mente e no coração, desejando-lhe o bem. Deixe que a reações venham. Não se apresse. Faça pausas entre as frases – ouvindo atentamente. Respirando.

Quando estiver pronto para prosseguir, escolha um estranho. Pode ser alguém que você vê regularmente, talvez na rua, no ônibus ou no metrô – alguém que você reconheça, mas cujo nome não saiba. Alguém sobre quem se sinta neutro. Lembre-se de que, embora não conheça essa pessoa, ela também tem uma vida cheia de esperanças e temores. Portanto, mantendo-a no coração e na mente, repita as frases e desse-lhe o bem.

Agora, se quiser aprofundar esta meditação ainda mais, traga à mente alguém que considere difícil (do passado ou do presente). Permita que essa pessoa esteja em seu coração e sua mente, reconhecendo que ela também pode querer ser feliz e estar livre de sofrimento. Repita as frases: “Que ela se sinta segura e livre do sofrimento. Que ela se sinta saudável e feliz. Que ela viva com tranquilidade.”. Dando uma pausa, ouvindo, observando as sensações do corpo, vendo se é possível explorar esses sentimentos sem censurá-los ou julgar-se.

Se a qualquer momento você se sentir oprimido e dominado por sentimentos ou pensamentos intensos, retorne à respiração no corpo para se fixar de volta no momento presente, tratando-se com gentileza.

Finalmente. Estenda essa ternura a todos os seres, incluindo seus entes queridos, pessoas estranhas e aquelas que você acha difíceis. A intenção aqui é estender o amore a amizade a todos os seres vivos no planeta – incluindo você! “Que todos os seres possam se sentir seguros e livres do sofrimento. Que se sintam saudáveis e felizes. Que todos nós vivamos com tranquilidade.”.

Ao final desta prática, fique sentado com a atenção na respiração e no corpo, permanecendo consciente do momento presente. Qualquer que seja sua experiência reconheça sua coragem de dedicar tempo a se nutrir dessa maneira.

Mas é necessário tomar cuidado com o que é chamado de “síndrome de estar no momento presente”.

Muitas vezes, ao ouvir que Mindfulness nos ajuda a ficarmos mais presentes, acabamos não aceitando quando nossa mente começa a se distrair e isso pode gerar uma auto cobrança implacável e cruel contra nós mesmos.

A ideia não é fazer com que nossa mente nunca mais se distraia ou não faça mais julgamentos, mas sim notar e estar mais consciente de nossos estados mentais, físicos e emocionais e como nos relacionamos com tudo isso. E manter o foco no presente na maior parte do tempo, nos ajuda a perceber isso de maneira mais eficaz.

“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.”- Dalai Lama.

O que eu aprendi com o “Poder do Agora”

Apesar deste livro ser uma das indicações de bibliografia do curso, confesso que não tive qualquer conexão com este nome “O Poder do Agora”. Considerando que eu decidi falar sobre o tema “Presente”, e conversando sobre possíveis livros que eu poderia ler para a pesquisa, meu marido me indicou esse mesmo livro, que ele inclusive estava lendo. Nome de livro com “cara de auto ajuda”, seguido do subtítulo “Um Guia para a Iluminação Espiritual”, tinha tudo para que eu não lesse nenhuma página. Porém, o fato de uma pessoa cética e ateia estar indicando um livro como esse, ascendeu minha curiosidade. Afinal, se ele tem como objetivo nos guiar para a Iluminação, como ele conseguia ter cooptado alguém como o meu marido?

Confesso que logo nas primeiras páginas, esse livro me arrebatou…

Apesar de ter desenvolvido alguma espiritualidade ao longo dos anos de prática de Yoga (nunca foi minha intenção, mas isso acabou acontecendo), a forma como o autor explana o tema, me fez repensar muitas coisas. É tão direto, parece tudo tão simples de entender, mas ao mesmo tempo desafiante: por que parece tão simples, mas não conseguimos aplicar de maneira eficaz de uma vez por todas em nossa vida?

O conceito mais esclarecer, para mim, foi deixar claro que a mente é um instrumento do meu corpo. Eu não sou a minha mente. Eu não sou aquele monte de vozes, aquele monte de pensamentos aleatórios e que muitas vezes, até eu mesma me surpreendo com o que está sendo “pensado”. Aquilo não sou eu. Definitivamente.

Com o exercício de “observar o pensador”, tudo fica bem menos dramático em nossa vida. Durante o dia, principalmente quando os pensamentos são conflituosos, negativos… paro e penso. Observo a minha mente. Reafirmo que ela não sou eu e tento não julgar a situação – como ele ensina a fazer – mas confesso que às vezes eu penso: – Para de viajar, sua louca! =) Aí lembro que observar o pensador é um ato de observar e não de julgar. Também me lembro das aulas da Rita, e que o Ahimsa também deve ser aplicado ao meu Ser.

O autor também reforça o que já dissertei acima, que mesmo as coisas mais simples que fazemos em nossa vida, devem ser vivenciadas e não ser somente um meio para chegar lá. Mesmo quando uma ação é feita visando algo futuro, é essencial vivenciar o caminho. A vida, às vezes, é o caminho.

“Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.” –  Guimarães Rosa.

Eckhart nos diz para tomar ciência de tudo o que fazemos, inclusive quando subimos uma escada ou lavamos as mãos. Para ficarmos atentos às sensações, para tomarmos consciência de um silencioso, mas poderoso, sentido de presença. E para medirmos o nosso sucesso nessa prática verificando o grau de paz dentro de nós quando fazemos isso.

Outra importante lição diz respeito ao Ego. Pois é ele que está sempre preocupado em manter vivo o passado. E o Ego se projeta no futuro para assegurar a continuação de sua sobrevivência buscando algum tipo de escape ou satisfação adiante. Parando e analisando tudo isso, faz total sentido. É exatamente dessa forma que me sinto muitas vezes: enraizada no passado e esperando um futuro redentor. Ou seja, passei a maior parte da minha vida me martirizando pelo passado e almejando o futuro que viria me salvar. Mas esse e outros ensinamentos, ao menos, trouxeram luz para essa minha ignorância. Sei que é necessário muita paciência e muita dedicação para de fato chegar lá, mas me sinto aliviada de ao menos ter consciência disso. O primeiro passo está dado.

No livro, o autor também esclarece que temos que aceitar o momento presente, seja ele qual for. Aceitá-lo e trabalha-lo é muito mais fácil que negá-lo e ignorá-lo se apegando a algo que já passou ou que ainda não aconteceu. Fazer isso é uma ilusão e ilusões não resolvem problemas reais. A única coisa que pode ser feita para resolver qualquer situação está no aqui e agora. No momento Presente.

É óbvio que em um momento de tristeza, de desespero é muito difícil raciocinar e aplicar essa filosofia de vida, mas ele garante que só observar o sofrimento já é o bastante. Observá-lo implica em aceita-lo como parte do que existe naquele momento. É preciso estar presente e alerta para ser capaz de observar nosso sofrimento de um modo direto e sentir a energia que emana dele. Agindo assim, o sofrimento não terá força para controlar nosso pensamento.

E para finalizar esse tópico, sobre esse livro incrível, segue um dos trechos que mais me marcou: “Por que o Agora é a coisa mais importante que existe? Primeiramente, porque é a única coisa”.

E não é exatamente isso?

Presente

Foram tantos ensinamentos ao longo dos anos, durante esse curso de formação e nessa pesquisa. A escolha por esse tema que surgiu pela necessidade de aplicar mais a minha vida, de fazer acontecer o “momento presente” com consciência, com empenho, pois eu realmente acredito que o Agora é a única coisa real e que se conseguirmos absorver esse ensinamento aplicando ao dia a dia, podemos alcançar a tão desejada paz.

Continuarei no meu caminho procurando essa satisfação plena de vivenciar o presente. Seguindo o conselho de Sêneca, que há dois mil anos atrás, sabiamente nos disse que “cada dia é uma vida”!

O Anjo do Presente: “Estejamos aqui e agora. O agora é aqui, neste momento presente, o único instante no qual tudo pode acontecer ou deixar de acontecer. Estamos prestando atenção? Estamos percebendo neste exato instante o que se passa? Estamos no sentindo na presença do Deus que nos ama eternamente? No silêncio fecundo deste momento recebamos o eterno presente da nossa existência” – “Estou sempre atendo e agradecido às dádivas que o presente me traz”- Meditando com os Anjos II

Bibliografia:

Sites:

https://www.pensador.com/frase/MTc2OQ/

https://www.pensador.com/frase/MTk2NTQx/

https://www.pensador.com/viver_o_presente/

https://embuscadodesconhecido.com.br/frases-dos-mestres-do-yoga/

https://www.frasesfamosas.com.br/tema/presente/

https://www.dicio.com.br/vivenciar/

https://yogui.co/10-frases-budistas-que-podem-mudar-sua-visao-da-vida/

https://namu.com.br/portal/corpo-mente/yoga/6-vantagens-de-escolher-o-yoga-como-forma-de-meditacao/https://www.minhavida.com.br/bem-estar/tudo-sobre/1042-meditacao

https://blog.psicologiaviva.com.br/o-momento-presente/

http://www.cafeyoga.com.br/como-treinar-a-mente-para-viver-o-momento-presente-clique-aqui/

https://nazareuniluz.org.br/as-diferencas-entre-yoga-e-mindfulness/

Apostila:

Meditação – Curso de Formação e Aprofundamento em Yoga com o Suporte Do Ayurveda – Sim Yoga

Livros:

“Atenção Plena – Mindfulness – Como Encontrar a Paz em um Mundo Frenético” – Mark Williams e Danny Penman (Editora Sextante)

“Ayurveda – Cultura de Bem-Viver” – Márcia de Luca & Lúcia Barros

“Meditando com os Anjos II”- Sônia Café (Editora Pensamento)

“O livro de Ouro do Yoga”- André de Rose (Editora Ediouro)

”O Poder do Agora – Um Guia para a Iluminação Espiritual” – Eckhart Tolle (Editora Sextante)

Com esse desenho que minha sobrinha Rafa fez no meu caderno de anotações do curso, vendo um pouquinho da aula de “História do Yoga no Ocidente e era Moderna”, no módulo 8, encerro meu trabalho de conclusão de curso! NAMASTÊ! =)

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