Entre a dor e o Dharma

Por Kamyla Morelli

Trabalho de Conclusão do Curso de “Formação em Yoga como suporte do Ayurveda 2026”.

Pratyabhijñā

Minha trajetória com o Yoga não começou no dia em que entrei na formação, nem foi uma descoberta repentina durante a viagem ao Nepal. O Yoga já havia atravessado minha vida em outros momentos, de forma intermitente, quase como um recurso ao qual eu recorria quando precisava me reorganizar, ele estava presente, mas ainda não ocupava um lugar definitivo.

Houve, porém, um período em que essa presença deixou de ser ocasional e passou a ser necessária, eu atravessava um momento de desalinhamento emocional e sentia, com clareza, que precisava retornar ao meu eixo, não sabia exatamente o que buscava, mas sabia que precisava reencontrar algo que já havia experimentado antes, uma sensação de presença, de inteireza.

Foi nesse contexto que, durante minha viagem ao Nepal, participei de uma aula conduzida por uma professora local. Aquela prática não foi uma novidade, foi um reencontro. Ao sentar no tapete, acompanhar a respiração e perceber o silêncio entre os movimentos, reconheci algo familiar, eu não estava conhecendo o Yoga, estava lembrando dele dentro de mim.

Ao retornar ao Brasil, essa experiência não se diluiu na rotina, pelo contrário, tornou-se mais evidente e necessária. A decisão de ingressar na formação, mesmo com a turma já iniciada, não foi impulsiva, foi um gesto consciente de assumir um caminho que, de certo modo, sempre esteve ali, aguardando maturidade para ser integrado como estrutura de vida.

Entre a dor e o dharma, esta formação tornou-se mais do que um curso, tornou-se travessia, compromisso…tornou-se caminho.

Vairagya

O início da formação coincidiu com um dos períodos mais delicados da minha vida. Eu atravessava o luto pelo término de um relacionamento profundo, que não representou apenas a separação de um companheiro, mas a ruptura de uma estrutura afetiva construída, não foi um rompimento simples, foi um processo de esvaziamento, de silêncio na casa, de ausência nas pequenas rotinas compartilhadas. Iniciei uma jornada de me reconhecer fora de uma identidade que foi construída com o outro.

Paralelamente, eu estava em tratamento medicamentoso para depressão, acompanhada pela Dra. Joana Moscoso, psiquiatra que, além de ter sido minha médica, desenvolve um trabalho social admirável, mobilizando pessoas para processos de autoconhecimento profundo. Em sua abordagem, a morte do ego não é destruição, mas transição, desapego necessário para que algo mais autêntico possa nascer. Essa visão foi fundamental para mim, me ajudou a compreender que o sofrimento que eu vivia não era fracasso, mas travessia.

Durante esse período, o Yoga deixou de ser apenas prática e passou a ser sustentação. É cientificamente reconhecido que que práticas contemplativas e corporais podem atuar como estratégias complementares no cuidado à saúde mental. É conhecido que a prática regular de Yoga está associada à redução de sintomas e pode modular níveis de GABA, neurotransmissor relacionado à estabilidade emocional.

Experimentei uma transformação na prática, técnicas de pranayama tornaram-se recursos reais nos momentos de ansiedade. A respiração lenta e consciente, deixou de ser conceito fisiológico e tornou-se âncora concreta nos dias difíceis. A meditação me ensinou a observar pensamentos sem me confundir completamente com eles.

Um momento especialmente significativo foi o retiro organizado pelos professores do SIM, no qual nos aprofundamos no tema do luto. Ali, em ambiente seguro, pude olhar para minha dor com menos resistência e mais honestidade. Não foi um encontro leve, mas foi verdadeiro. Percebi que o luto não precisava ser combatido, ele precisava ser atravessado. A prática compartilhada, o silêncio coletivo e a escuta ampliada produziram em mim um movimento de aceitação que eu ainda não havia conseguido alcançar sozinha.

Com o tempo, iniciei a retirada gradual da medicação. Hoje estou há três meses sem tomar o antidepressivo que me acompanhou por longa data. Não atribuo essa transição a um único fator, mas reconheço que as ferramentas acessadas durante a formação tiveram papel decisivo na construção dessa estabilidade interna e hoje tenho ferramentas para me manter sem a medicação.

A compreensão da impermanência, princípio central tanto no Yoga quanto no budismo, foi determinante nesse processo. Assim como as posturas surgem, são sustentadas e depois liberadas, os estados emocionais também são transitórios. Essa percepção não anulou minha dor, mas reduziu o medo de permanecer nela para sempre.

Entre a queda do que eu acreditava ser e a construção do que estou me tornando, o Yoga tem sido minha estrutura de reconstrução.

Ayurveda

O aprofundamento no Ayurveda ampliou significativamente minha compreensão de saúde. Entretanto, esse encontro não ocorreu apenas na formação; ele começou de maneira mais íntima, em conversas que atravessavam amizade, escuta e confiança.

Minha formação como fisioterapeuta já havia despertado em mim uma visão de cuidado que ultrapassava o sintoma isolado. Ainda assim, foi a partir da convivência com uma amiga muito querida, a Dra. Natalia Bonassi, médica que atua com medicina integrativa, que comecei a perceber que minha compreensão de corpo ainda poderia se expandir.

Natália esteve na Índia, estudou e vivenciou a tradição ayurvédica de perto. Em nossas conversas, ela falava com profundidade sobre a necessidade de olhar o organismo como um sistema integrado, não apenas físico, mas também emocional e energético. Ela insistia em algo que, à época, parecia simples, mas que gradualmente ganhou outra dimensão para mim: o corpo não adoece isoladamente; ele responde ao modo como vivemos, pensamos e sentimos.

Quando iniciei os estudos da formação, percebi que aquilo que eu havia escutado dela começava a se estruturar conceitualmente. Diferentemente do modelo de saúde fragmentado, a Ayurveda propõe uma visão sistêmica e relacional do organismo, compreendendo saúde como equilíbrio dinâmico.

A saúde é o estado de harmonia entre doshas, tecidos, funções digestivas e clareza mental. O conceito de Agni, o fogo digestivo, revelou-se particularmente transformador para mim. Ele não se restringe à digestão alimentar; refere-se também à capacidade de processar experiências. Quando Agni está comprometido, ocorre a formação de Ama, substância resultante da digestão incompleta.

Essa ideia ecoou diretamente com a minha experiência pessoal, comecei a perceber que não eram apenas alimentos que eu precisava digerir, havia vivências emocionais não plenamente assimiladas, decisões difíceis, frustrações e perdas que permaneciam como resíduos internos. A noção de Ama deixou de ser conceito abstrato e passou a ser metáfora concreta de experiências não metabolizadas. Fazendo um paralelo com a psicologia, que reconhece que experiências emocionais não elaboradas podem gerar somatizações e sofrimento psíquico prolongado. A integração entre essas perspectivas fortaleceu em mim a convicção de que mente e corpo não operam de maneira dissociada.

Na tradição ayurvédica, Ahara não se restringe ao alimento que passa pelo paladar, ele abrange tudo o que assimilamos pelos sentidos; informações, imagens, ambientes, relações e experiências, cada estímulo é uma forma de nutrição. Quando essa ingestão é excessiva, especialmente no contexto da sobrecarga informacional e do uso contínuo de estímulos digitais, a mente também se satura, impactando diretamente o equilíbrio emocional e a saúde mental.

Passei, então, a observar com mais atenção o que consumia diariamente, não apenas refeições, mas conteúdos, conversas, ritmos de trabalho, padrões de pensamento. Ajustei horários, reorganizei rotinas e reduzi estímulos desnecessários. O cuidado deixou de ser apenas intervenção pontual e tornou-se escolha cotidiana.

Ao integrar esses conceitos, compreendi saúde como capacidade de metabolizar experiências, regular estímulos e preservar vitalidade, aquilo que a tradição denomina Ojas. O Ayurveda não me ofereceu apenas um conjunto de recomendações, mas me ofereceu um mapa para compreender minha própria experiência de forma mais ampla e responsável.

Assim, o contato pessoal inicial, mediado pela amizade, pela escuta e pelo exemplo da Dra. Natália, encontrou, na formação, sustentação teórica e prática. O que antes era curiosidade transformou-se em mudança concreta de postura diante do próprio corpo e da própria vida.

Seva e Karma Yoga

Voltarei ao Nepal esse ano, com um significado diferente. Se antes o Yoga foi um apoio para eu me reorganizar por dentro, hoje ele ganha um sentido mais amplo: compartilhar. Desta vez, estarei lá como voluntária, trabalhando com mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo práticas simples, acessíveis e acolhedoras. A ideia não é ensinar nada complexo, mas criar um espaço seguro, onde o corpo possa respirar, a mente possa desacelerar e cada uma possa se reconectar com a própria força.

Essa decisão não surgiu de forma estratégica, mas como consequência natural da formação. Ao aprofundar os estudos, compreendi que o Yoga não se limita ao aperfeiçoamento pessoal. Ele se amplia em Seva. Ele se concretiza em Karma Yoga. A Bhagavad Gita descreve Karma Yoga como a ação realizada com dedicação, porém sem apego aos frutos. Esse ensinamento alterou profundamente minha compreensão de serviço: servir não é assumir posição de superioridade, nem ocupar o lugar de quem resolve a dor alheia. Servir é reconhecer interdependência.

O objetivo do trabalho que pretendo desenvolver não é ensinar posturas complexas ou propor desafios físicos avançados, é criar espaço seguro. O que pretendo levar à essas mulheres, está fundamentado em princípios assimilados ao longo da formação, construção de um ambiente sustentado por Ahimsa, aplicação de Pranayamas reguladores do sistema nervoso, movimentos acessíveis nos Asanas, restauração nas práticas de Yoga Nidra e o trabalho com Sankalpa, a intenção consciente, que tem um potencial transformador sobre a construção de novos padrões mentais por repetição intencional.

Muitas dessas mulheres carregam histórias atravessadas por violência, perdas e exclusão, nesse contexto, o Yoga não pode ser performance, ele precisa ser reconstrução de dignidade, lembrança de valor próprio, experiência de presença e autonomia.

O voluntariado, contudo, não é uma dimensão recente na minha vida, já faço parte do movimento Olga Benário, cujo propósito central é o acolhimento e apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade. Também atuo como voluntária na Cruz Vermelha, no PMI SP e no grupo Voluntários da Saúde. Esses espaços distintos compartilham um mesmo eixo, a convicção de que o cuidado coletivo é responsabilidade compartilhada.

Assim, o retorno ao Nepal não representa um gesto isolado, mas a continuidade coerente de um compromisso já assumido com o serviço e o Yoga, nesse processo, não inaugura o desejo de contribuir, ele oferece estrutura ética, filosófica e prática para que esse serviço seja mais consciente, estável e alinhado ao princípio de presença. Seva tornou-se extensão natural do meu caminho.

O Equilíbrio dos Gunas

Sou vice-presidente da CIPA na empresa onde trabalho e, com a atualização da NR-1, os riscos psicossociais passaram a integrar formalmente a gestão de Segurança e Saúde no Trabalho. Essa mudança normativa não foi apenas uma exigência técnica, mas para mim, abriu um campo real de atuação. A própria Organização Mundial da Saúde reconhece o estresse ocupacional como fator relevante de adoecimento mental, o que torna essa discussão ainda mais urgente dentro das organizações.

No meu cotidiano profissional, vivencio uma rotina intensa, marcada por prazos apertados, alta responsabilidade e pressão constante. Em determinados períodos, o ambiente pode se aproximar de um ritmo quase insalubre. Essa experiência pessoal não me afasta do tema, ao contrário, reforça meu desejo de atuar de forma concreta na prevenção do adoecimento emocional no trabalho.

Passei a enxergar o ambiente corporativo também sob a ótica ayurvédica, onde o estresse organizacional pode ser compreendido como um acúmulo de Ama coletivo, resíduos de conflitos não resolvidos, sobrecargas não processadas, comunicação truncada. O excesso de Rajas se manifesta na agitação permanente e na hiper produtividade desregulada. E o excesso de Tamas aparece na desmotivação, no esgotamento e na apatia.

A partir dessa leitura, comecei a estruturar a proposta “CIPA com Presença”, que integra fundamentos do Yoga com evidências contemporâneas sobre saúde mental no trabalho. Estudos indicam que intervenções baseadas em mindfulness e práticas respiratórias apresentam resultados positivos na redução do estresse e na melhoria da regulação emocional e da produtividade. Programas breves de respiração consciente ao longo do expediente já demonstram impacto mensurável nesse sentido.

A proposta inclui pausas respiratórias curtas durante o dia, alongamentos simples e acessíveis, educação sobre “alimentação mental”, ampliando o conceito de Ahara para o contexto organizacional Aplicação práticas de Pratipaksha Bhavana, que consiste em cultivar pensamentos opostos para combater emoções negativas, como ferramenta de reestruturação cognitiva.

Os princípios éticos do Yoga, os Yamas e Nyamas, também podem ser interpretados como fundamentos de uma cultura organizacional mais saudável. Ahimsa dialoga diretamente com a comunicação não violenta. Satya pode fortalecer a transparência nas relações de trabalho, Aparigraha pode contribuir para a redução do controle excessivo e da centralização, eo Santosha pode auxiliar no equilíbrio das expectativas individuais e coletivas.

A minha intenção não é espiritualizar o ambiente corporativo nem impor uma filosofia religiosa ao trabalho, meu objetivo é oferecer ferramentas práticas de autorregulação emocional, prevenção e promoção de saúde mental. Acredito que pequenas intervenções conscientes podem gerar mudanças significativas.

Sadhana e Svadhyaya

Minha busca por espiritualidade me acompanha há muitos anos. Cresci em uma família católica, fui batizada, me casei na igreja, e essa tradição faz parte da minha história e da minha memória afetiva. Ainda assim, com o passar do tempo, comecei a sentir uma certa desconexão. Não era rejeição, era inquietação. O que eu buscava não era trocar de religião. Era encontrar sentido, queria uma espiritualidade que dialogasse com minha vida real, com minhas dúvidas, minhas crises, meu trabalho, minhas responsabilidades, algo que atravessasse o cotidiano, não que existisse apenas em rituais formais.

O curso de formação abriu esse espaço de integração. Nos encontros “Cantos e Contos” e nas aulas de história do Yoga, me aproximei do hinduísmo de maneira sensível, experiencial. Os mantras, que antes me pareciam culturalmente afastados da minha realidade, começaram a fazer sentido, cantar nos encontros se transformou em prática de presença, em reorganização emocional, em conexão com algo maior, sem a rigidez das instituições religiosas que eu sempre senti dificuldade de sustentar.

Ao mesmo tempo, percebo que minha identificação atual dialoga profundamente com a filosofia budista, a impermanência, o desapego e a responsabilidade individual pela redução do sofrimento ressoam muito em mim. O budismo sempre despertou uma curiosidade silenciosa, quase intuitiva, antes mesmo de estudá-lo com mais atenção, algo na sua simplicidade e clareza ética já me tocava.

Essa aproximação, porém, não veio apenas da leitura, ela se consolidou em uma experiência durante minha viagem ao Nepal, a caminho do Base Camp do Everest, vivi um momento que permanece muito vivo em mim, a visita ao Mosteiro de Tengboche, no Parque Nacional de Sagarmatha. Ali naquele espaço, senti algo difícil de explicar, uma mistura de silêncio profundo, reverência e reconhecimento, muito além de encantamento turístico. Foi uma sensação de pertencimento. Me lembro de uma palavra que não saia da minha cabeça “é isso, encontrei”.

Nesse dia, recebi o Sai Sin, o cordão de proteção colocado em meu pescoço durante a visita ao mosteiro, que o carrego comigo até hoje. Mais do que um símbolo externo, ele se tornou um lembrete diário de intenção, consciência e responsabilidade pessoal. A partir dali o budismo deixou de ser apenas curiosidade e passou a ocupar um espaço vivo na minha trajetória.

No Nepal, outra coisa também me marcou: a convivência harmoniosa entre budismo e hinduísmo. Ver templos e stupas coexistindo, pessoas transitando entre práticas diferentes com naturalidade e respeito, ampliou minha visão espiritual. Ali compreendi que espiritualidade não precisa ser exclusão. Pode ser integração.

A maior transformação para mim foi entender que espiritualidade não é fugir da vida prática. Não é sair do mundo, nem se afastar das responsabilidades. Ela pode existir no cotidiano, no trabalho, nas decisões difíceis e nos dias de pressão. Não como um discurso bonito, mas como presença real.

Ao ler a Bhagavad Gita, isso fica muito claro, onde a conversa entre Arjuna e Krishna acontece em um campo de batalha, não em um templo silencioso. Ou seja, o ensinamento não é sobre abandonar a vida, mas sobre aprender a agir dentro dela com consciência nos conflitos, escolhas, responsabilidades que todos nós enfrentamos, a prática espiritual acontece ali, no meio da ação.

O budismo também aponta nessa direção, não fala em fugir do sofrimento, mas em olhar para ele com lucidez. A prática acontece ao observar a mente, ao escolher não reagir automaticamente, ao tentar reduzir o sofrimento nas pequenas atitudes do dia a dia. Não é algo separado da vida comum, é exatamente nela que se dá.

Até aqui, na minha jornada, aprendi que a espiritualidade não é algo à parte da minha vida, ela caminha comigo, está nas escolhas diárias, nas pequenas decisões, na forma como me posiciono e no modo como escolho seguir adiante.

Samatva

Ao longo desta formação, compreendi que o Yoga é muito mais do que prática corporal ou aprofundamento filosófico e sim uma estrutura de vida, uma base que sustenta minhas escolhas, minhas relações, meu trabalho e minha forma de atravessar as crises.

Entre o luto e a reconstrução, encontrei no Vairagya a possibilidade de desapego consciente. No Ayurveda, aprendi a cuidar do corpo de forma integral. No Seva, compreendi que o autoconhecimento naturalmente se expande em serviço. No equilíbrio dos Gunas, encontrei linguagem para entender o estresse coletivo e propor caminhos de regulação no ambiente corporativo. Em Sadhana e Svadhyaya, reconheci que espiritualidade não é fuga do mundo, mas presença nele.

A jornada entre dor e dharma não representa oposição, mas amadurecimento. Dharma, para mim, deixou de ser conceito abstrato e passou a significar alinhamento com minha natureza mais autêntica e responsabilidade ética diante do mundo.

Hoje, o Yoga não é algo que pratico apenas no tapete, está na forma como respiro antes de responder, na maneira como escolho agir sob pressão, na tentativa diária de reduzir sofrimento, o meu e o dos outros.

Está na coragem de atravessar o que dói sem perder o centro, cultivando presença
Entre a dor e o dharma, encontrei o caminho e é nesse caminho que escolho permanecer.

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