Por Marina Regina
Trabalho de Conclusão de Curso de Formação e aprofundamento em Yoga com o suporte do Ayurveda
Introdução
A asma Brônquica permanece como um dos principais desafios de saúde pública em 2025, afetando milhões de indivíduos e gerando custos elevados ao sistema de saúde devido a internações e tratamentos contínuos. Caracterizada por uma inflamação crônica das vias aéreas e hiperresponsividade brônquica, a patologia manifesta-se por episódios recorrentes de dispnéia, sibilancia e aperto no peito. Embora o tratamento farmacológico seja a pedra angular do controle da doença, observa-se uma busca crescente por terapias complementares que visem não apenas o alívio dos sintomas físicos, mas também a redução da ansiedade e a melhora da capacidade pulmonar funcional.
Neste cenário, o Yoga, e especialmente o componente Pranayama ( técnicas de controle de energia vital através da respiração consciente), emerge como uma intervenção de baixo custo e alta eficácia. Estudos contemporâneos indicam que a prática regular de exercícios como Nadi Shodhana e o Ujjayi pode modular o sistema nervoso, reduzindo a hiperventilação e fortalecendo a musculatura respiratória, o que auxilia na estabilização do fluxo aéreo e na diminuição da dependência de medicação de resgate.
Diante da necessidade de abordagem que considerem o paciente de forma integral, o presente trabalho justifica-se pela importância de validar cientificamente práticas milenares na saúde respiratória. O objetivo deste estudo reside na investigação de como a aplicação sistemática de protocolos de Pranayama pode influenciar a qualidade de vida e os parâmetros espirométricos de indivíduos asmáticos.
Sempre sofri com crises de bronquite asmática, dependendo de inaladores. Ao iniciar no yoga, foquei nas técnicas de pranayama. No início, mover -me no ritmo da respiração era difícil, mas aprendi a relaxar durante a exalação e a não apressar a inalação. Com o tempo, percebi que o yoga ensina a otimizar a respiração através de movimento de baixo impacto. Em poucos meses, as crises diminuíram e minha dependência de remédio caiu, porque aprendi a controlar o pânico e a musculatura respiratória através da prática.
Evidências Clínicas e Funcionais
Melhora nos Parâmetros Respiratórios
A prática regular de Pranayama em 2025 é reconhecida por promover melhoras mensuráveis nos parâmetros funcionais dos pulmões, atuando tanto na mecânica respiratória quanto na eficiência da troca gasosa. Os principais ganhos funcionais são:
- Aumento de Volume Expiratório
Estudos demonstram uma melhora significativa no volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) e no Pico de Fluxo Expiratório (PFE), essências para pacientes com obstrução brônquica - Otimização Da Troca Gasosa
Técnicas como a “respiração com lábios franzidos” Ujjayi ajudam a manter as vias aéreas abertas por mais tempo, melhorando a absorção de oxigênio e a eliminação de dióxido de carbono - Fortalecimento Muscular
Exercícios rítmicos aumentam a força e a resistência dos músculos respiratórios, como o diafragma e os intercostais, tornando a respiração mais eficiente e menos cansativa - Redução Da Hiperventilação
O controle consciente da taxa respiratória ajuda a normalizar o padrão respiratório, evitando o ciclo de ar aprisionado comum em crises de asma.
Redução no uso de Medicamentos
Estudos clínicos recentes demonstram que praticantes de yoga e pranayama apresentam uma redução significativa na frequência do uso de medicamentos de emergência. A prática ajuda a reduzir o número e a intensidade das crises, o que naturalmente diminui a necessidade de doses extras de medicação, proporcionando estabilidade clínica. Em alguns grupos a diminuição no uso de medicamentos de resgate foi alcançada de forma mais rápida do que em grupos que utilizaram apenas tratamentos convencionais. A redução no uso de fármacos não ocorre por substituição direta, mas sim pela melhora na eficiência respiratória e redução da inflamação. O controle da respiração acalma o sistema nervoso, evitando que o estresse desencadeie broncoespasmos que exigiriam medicação.
Teste de controle da Asma (ACT)
O ACT é uma ferramenta validada no Brasil para monitorar a eficácia de terapias adjuvantes. É um questionário rápido de cinco perguntas que ajuda pacientes e médicos a avaliarem o nível de controle da doença nas últimas quatro semanas. Como funciona o teste Para cada pergunta, você atribui uma pontuação de 1 a 5. As perguntas cobrem:
- Limitação de atividades
Frequência com que a asma impediu tarefas no trabalho, escola ou u casa. - Falta de ar
Quantas vezes você sentiu dificuldade para respirar. - Sintomas noturnos
Quantas vezes acordou a noite ou mais cedo por causa da asma. - Uso de medicação de resgate
Frequência de uso de bombinha de “alívio” - Autopercepção
Como você avalia o controle da sua asma no período.
Resultado e Pontuação
A pontuação total varia de 5 a 25 pontos. 25 pontos ( Asma totalmente controlada), você não apresenta sintomas ou limitações. 20 a 24 pontos (Asma bem controlada), mas ainda pode haver melhorias. 19 pontos ou menos (Asma não controlada), seus sintomas podem estar afetando sua qualidade de vida e você deve procurar seu médico para revisar o tratamento.
A literatura científica de 2025 reforça que o Pranayama é uma intervenção de baixo custo e alta eficácia para pacientes que, apesar da medicação, ainda não atingiram o controle total dos sintomas.
Estudos clínicos randomizados concluídos entre 2024 e 2025 demonstram o seguintes resultados:
- Aumento na pontuação
Pacientes que integram o pranayama ao tratamento padrão apresentaram um aumento médio de 3 pontos na escala ACT (que vai de 5 a 25), comparado a apenas 1 ponto no grupo de controle. - Niveis de controle
Após 12 a 16 semanas de prática ( ex: 20 a 45 minutos diários), uma proporção significativamente maior de pacientes migrou da categoria “parcialmente controlada” (20 a 24 pontos) para “totalmente controlada” (25 pontos). - Redução de sintomas subjetivos
A melhora no ACT reflete diretamente a redução da frequência de falta de ar, despertares noturnos e o uso de medicação de resgate, que são os pilares avaliados pelo teste.
Técnicas de Pranayama
Pranayama é uma técnica respiratória do yoga. É um termo sânscrito que significa: Prana – energia vital, alento, vitalidade e Ayma – expansão, extensão, intensidade, propagação. Portanto, Pranayama é a técnica de expansão, intensificação do fluxo da energia. Também é considerado a ponte entre o denso e o sútil.
Na tradição Hindu, diz que o tempo da vida é controlado pelo número de respirações e não pelos anos que passamos na terra. Segundo Swami Shivanada fazemos em média 21.600 respirações por dia. Se estamos mais ansiosos a nossa respiração fica mais acelerada, se estamos mais serenos a respiração fica mais ritmada e lenta. A ideia é acalmar, respirar menos e viver mais. Assim, controlando a respiração, controlamos a própria vida.
A respiração no yoga deve ser:
- Nasal – Os cílios das narinas filtram as impurezas do ar, evitando que essas impurezas entrem pela sua boca. Em exceção temos alguns respiratórios para ajudar no controle da temperatura do corpo.
- Profunda – Utilizando toda a capacidade pulmonar.
- Completa – Abdominal, intercostal e toráxica.
- Consciente – Estar presente no exercício. Sem consciência não há concentração possível. “A respiração consciente é um instrumento de unificação da consciência, uma atenção dirigida para a vida orgânica, uma porta de entrada na própria essência da vida, uma consciência da própria grandeza.”
- Ritmada – Na natureza temos ciclos e ritmos e em nós não seria diferente. Existe uma relação entre estados de consciência e ritmo.
- Controlada – Evite ficar sem fôlego. Se necessário diminua a contagem dos tempos estabelecidos no respiratório.
- Uniforme – Não interromper o fluxo da respiração, não fazer força para puxar o ar, ou seja devemos encher e esvaziar os pulmões de forma gradual e constante.
- Lenta – Respiração o mais lenta possível. Até mais lenta do que no momento do sono. Com o tempo você perceberá que pode não só alterar o ritmo da respiração como também o ritmo cardíaco.
- Silenciosa – Ninguém além de você deve ouvir a sua respiração com a mínima projeção de ar – Quanto menor for está projeção, maior será o controle do prana.
Tipos de respiração
Existem quatro modalidades diferentes de respiração dentro do repertório do yoga: baixo abdominal ou diafragmática (adhama), média ou intercostal ( madhyama), alta ou clavicular (uttama) e completa (raja pranayama ou prana Kriya). Está última é combinação das três anteriores, por isso, a mais importante.
Os quatro estágios da respiração
- Puraka, inspiração ou inalação – Significa literalmente encher, multiplicar. Se faz expandindo para fora a parte baixa do abdômen, depois a região intercostal e por último a região alta do tórax.
- Kumbhaka, retenção com ar – Significa jarro d’água. É durante a retenção com os pulmões cheios que acontece a absorção de prana. Evite reter por muito tempo, a retenção deve ser metabolizável, sem forçar os limites naturais do organismo. Gestantes não devem reter o ar.
- Rechaka, expiração ou exalação – Se faz descontraindo o diafragma e contraindo vagarosamente a musculatura abdominal. Primeiramente acontece a contração da parte superior do tórax, depois da parte média (intercostal) e por último a parte inferior do abdômen.
- Shunyaka ou Bahya Kumbhaka, retenção sem ar – Shunyaka significa vazio. É necessário bastante atenção para não passar dos limites de retenção. Restrição de tempo para pessoas com problemas pulmonares ou cardíacos (hipertensão). Contra indicado para gestantes.
Principais pranayamas utilizados no yoga
Raja pranayama ou prana Kriya – respiração completa, sem ritmo.
É um dos respiratórios mais importantes do yoga. Porque primeiro se domina esta respiração para fazer as outras.
Tamas ou Sukshma – respiração imperceptível, sem ritmo.
É indicado visualizar uma pluma bem embaixo das narinas . A ideia é tornar a passagem do ar tão imperceptível que não se consegue mover esta pluma. Aumenta a força de vontade e a capacidade de concentração.
Rajas pranayama – respiração dinâmica, sem ritmo.
Está técnica produz vitalização geral do organismo, expansão e robustecimento da estrutura ósseo-muscular da caixa torácica, fortalecimento do diafragma e aumento da absorção do prana.
Bandha pranayama – respiração completa com bandhas ( contrações de plexos, nervos, órgãos e glândulas que funcionam como chaves do fluxo energético no organismo e servem para potencializar os respiratórios), e sem ritmo.
Fundamentais para estabilizar a mente e aumentar a eficácia das retenções respiratórias (kumbhaka).
Kumbhaka pranayama – respiração completa com ritmo.
Reter o ar por mais tempo do que ao inspirar. Ao pausar o fluxo respiratório de forma consciente, o praticante “treina” o sistema nervoso a manter a calma sob condições de leve estresse ( hipercapnia controlada).
Bandha Kumbhaka pranayama – respiração completa com bandhas e ritmada.
Com esta técnica você exercita todos os músculos e articulações do aparelho respiratório, aumentando a elasticidade da caixa torácica, eliminando as tensões musculares e aumentando a capacidade mental do praticante. Tonifica o sistema endócrino e o sistema nervoso. Estabiliza os pensamentos diminuindo os vrittis.
Sopro Ha – respiração com exalação forte pela boca emitindo som alto, sem ritmo.
Este é um respiratório para desoprimir, acabar com o mau humor e agressividade. Este respiratório alivia as tensões e emoções reprimidas, fortifica o aparelho respiratório e intensifica a circulação sanguínea.
Manasika pranayama – respiração completa com mentalização sem ritmo.
Diferente das técnicas físicas tradicionais que focam na manipulação mecânica, esta técnica é uma prática onde o controle da respiração e do prana é realizado inteiramente através da visualização e da consciência mental.
Chandra nadi pranayama – respiração pela narina esquerda, negativa ou lunar (ida nadi), sem ritmo. É uma técnica de respiração que foca exclusivamente na narina esquerda para ativar a energia lunar, promovendo resfriamento físico e relaxamento mental.
Surya nadi pranayama – respiração pela narina direita, positiva ou solar ( pingala nadi), sem ritmo. É uma técnica de respiração que foca exclusivamente na narina direita para ativar a energia solar. Ela visa aumentar o calor corporal, a vitalidade e o estado de alerta.
Nadi Shodhana pranayama – respiração alternada, sem ritmo.
Shodhana significa limpar ou purificar, o objetivo deste respiratório, limpeza dos elementos do corpo sútil. Este pranayama é excelente para ativar e harmonizar os sistemas nervosos, simpáticos (luta e fuga) e parassimpaticos (relaxamento). Fazendo com que a mente se torne serena e lúcida. Estimula a circulação de prana em ida esquerdo (lua) e pingala direito (sol).
Nadi Shodhana kumbhaka pranayama – respiração alternada com ritmo.
É uma forma avançada de respiração das narinas alternadas, integrando retenções de ar (kumbhaka) e travas energéticas ( Bandhas). Enquanto o Nadi Shodhana básico foca no equilíbrio, a inclusão da kumbhaka visa expandir a capacidade pulmonar e aprofundar o estado de meditação.
Bhastrika (fole) pranayama – respiração sopro rápido, ritmo acelerado.
Fortalece a parede abdominal, aumenta a circulação sanguínea e tonifica o sistema nervoso. Normaliza as funções do aparelho digestivo e excretor. Oxigena todo o organismo, estimula o raciocínio, aquece o corpo. No plano sútil aumenta a força de vontade e a consciência de si próprio.
Kapalabhati (crânio brilhante) – pode ser considerado um Kriya ou pranayama, sem ritmo.
A expiração é ativa e a inspiração é passiva. É destacado por sua capacidade de desintoxicar as vias aéreas e aguçar o foco mental através da eliminação intensa de CO2. Mantra pranayama – respiração ritmada com a emissão de mantra, com ritmo. Essa técnica é valorizada por uniros benefícios fisiológicos da respiração rítmica com o impacto neurológico da meditação sonora, ajudando a estabilizar a mente de forma mais rápida do que o pranayama comum.
Omkara pranayama – respiração ritmada com manasika mantra com ritmo.
É a prática de entoar o mantra “OM” ( considerado o som primordial do universo) em sincronia com uma expiração profunda e prolongada. Sua prática como técnica respiratória visa harmonizar o corpo físico, a mente e o espírito.
Ujjayi pranayama – respiração com contração da glote, sem ritmo.
Ujjayi significa vitorioso. É um excelente pranayama para desenvolver a concentração. Aumenta a temperatura e o calor corporal, normaliza o funcionamento da glândula da tireóide e do sistema endócrino, revigora o organismo e estimula as funções intelectuais.
Shitali pranayama – respiração com língua em calha, sem ritmo.
Shitali significa frescor, frio. O nome deriva do seu efeito refrescante. Então este respiratório elimina o calor, a sede, a fome e as toxinas acumuladas no organismo. Melhora a digestão e acaba com a acidez estomacal. É indicado para ser feito durante o jejum, pois elimina a sensação de fome e refresca o hálito.
Bhramari pranayama – respiração com o som de um ruído de uma abelha, sem ritmo.
Esta técnica acaba com mau humor, ativa o sistema nervoso e tonifica o aparelho respiratório, desperta a sensibilidade, clarifica as idéias e detém as instabilidades do pensamento. É um excelente preparatório para concentração.
Samavritti pranayama – respiração com ritmo regular sem shunyaka.
Fortifica o sistema nervoso, regula e harmonizar os ritmos biológicos, desenvolve as faculdades intelectuais e outorga uma atividade de receptividade.
Visamavritti pranayama – respiração com ritmo irregular em cada ciclo.
Visama, que significa “irregular” ou “desigual”, e Vritti, que significa “razão”, ou “razão de movimento”, é uma técnica avançada de controle respiratório que utiliza proporções desiguais entre a inspiração, a retenção e a expiração. É uma ferramenta poderosa para aumentar a resiliência emocional e a capacidade pulmonar.
Chaturanga pranayama – respiração quadrada com ritmo.
Técnica que mantém sempre o mesmo ritmo nas quatro fases da respiração, favorece o estado de meditação e concentração.
Chamar pranayama – respiração para ativar os chakras com ritmo.
Técnica avançada que combina o controle da respiração com a visualização e a ativação dos sete principais centros energéticos do corpo ( chakras).
Viloma pranayama – respiração com inspiração intervalada, sem ritmo.
Viloma significa invertido, contrário ao próprio curso. A maneira de respirar nele é oposta a natural. Com inalações intervalada o praticante obtém um maior controle do processo respiratório. É importante que as inspirações sejam feitas com ritmo.
Anuloma pranayama – respiração com expiração alternada sem ritmo.
O termo anuloma significa encadeado, conectado, que está de acordo com a ordem natural. Este pranayama é feito inspirando pelas duas narinas e exalando de forma alternada uma vez por cada narina. Essa técnica areja os pulmões, tonifica o sistema nervoso, limpa as vias respiratórias e os seios nasais, melhora a digestão e aumenta a força de vontade.
Pratiloma pranayama – respiração com inspiração alternada sem ritmo.
O termo pratiloma significa oposto. É feito exatamente o contrário do anuloma, com inspiração alternada e a expiração por ambas as narinas. É possível combiná-lo com as técnicas de viloma pranayama introduzindo pequenas pausas ou retenções durante a inalação ou exalação.
Aspectos Psicossomáticos e Qualidade de Vida
A asma é amplamente reconhecida na medicina moderna como uma patologia de forte natureza psicossomática, onde a mente e o corpo interagem diretamente na manifestação dos sistemas. A asma é vista como uma expressão somática de conteúdos psíquicos que o indivíduo não consegue processar verbalmente. Os principais aspectos psicossomáticos da asma incluem:
Gatilhos Emocionais Diretos
Estresse e Ansiedade: São os principais fatores que desencadeiam ou agravam as crises. Emoções intensas como raiva ou medo causam alterações no sistema nervoso que levam a constrição das vias respiratórias e inflamação crônica. Controle e Humor: Pacientes com asma não controlada apresentam maior prevalência de transtornos de ansiedade e depressão. Esses estados emocionais negativos criam um ciclo vicioso que dificulta o manejo da doença.
Perfil Psicológico e Conflitos
Expressão Reprimidas: Frequentemente a asma se manifesta em indivíduos que sentem sua criatividade ou identidades reprimidas, sentindo-se inseguros para demonstrar quem realmente são. Dinâmica Relacional: Algumas teorias psicossomáticas sugerem que a origem da “personalidade asmática” pode estar ligada a dinâmicas familiares complexas, como sentimentos de insegurança ou inferioridade. Conflitos de “Território”: Perspectivas de terapias integrativas associam crises brônquios a conflitos de perda de território ou ameaças no ambiente familiar e profissional.
Impacto na Gestão da Doença
Crença de Saúde: O estado emocional afeta diretamente a adesão ao tratamento e a percepção de gravidade dos sintomas. Qualidade de vida: O sofrimento psíquico secundário (como medo de ficar sozinho ou crises de pânico durante a falta de ar) pode cronificar o quadro e modelar a personalidade do paciente ao longo do tempo.
Portanto, asma é uma doença psicossomática, ou seja, com várias causas tanto físicas quanto psicológicas, é importante que o portador fique atento a situações que possam alterar o estado de ânimo, como uma crise de ansiedade ou estresse excessivo. Isso porque o organismo do asmático reage frente a um conflito emocional como se um agente alérgico estivesse entrando no organismo, despertando a crise, inclusive de uma maneira inconsciente. Por isso, quando alguém que é portador da doença e sente o cheiro de um perfume que remete a um relacionamento doentio e que tenha causado transtornos, possivelmente sofrerá uma crise, principalmente se não estiver com aspecto emocional bem resolvido. A mesma reação pode acontecer quando o asmático esteja em um momento de medo, preocupação ou com um quadro de depressão. Imagine o cérebro recebendo informações que remetam a alertas de possíveis invasores. Ao enviar mensagens às células, o sistema imunológico enfraquece, atacando diretamente os pulmões que já não estão 100%. Os nervos enviam mensagens de perigo e produzem substâncias que contraem os brônquios. É nesse momento em que a secreção e catarros aumentam, inflamando as vias aéreas. Dessa maneira, a crise se instala, fazendo com que a pessoa tenha que agir rapidamente para evitar possíveis agravamentos.
O yoga ajuda a reduzir a reatividade do sistema nervoso (especificamente a resposta vagal), induzindo relaxamento tanto no corpo como na mente, o que atua diretamente nos fatores psicossomáticos da asma. A prática estimula a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, prevenindo transtornos mentais que frequentemente acompanham doenças crônicas. Melhorando assim, a autopercepção de saúde, elevando os escores em domínios emocionais, sociais e de vitalidade.
Ao treinar o corpo para respirar de forma profunda e lenta mesmo sob desconforto, o praticante de yoga e pranayama ganha confiança em sua capacidade respiratória, diminuindo a ansiedade que antecede uma nova crise.
Saúde Pública – O Yoga No Sistema Único De Saúde
O impacto da asma na saúde pública brasileira é caracterizado por uma alta carga de morbidade, custos elevados para o Sistema Único de Saúde (SUS) e um número persistente de mortes evitáveis. O volume de internações permanece como terceira ou quarta maior causa de hospitalização no SUS, registrando anualmente cerca de 350 mil a 400 mil internações. O sistema registra mais 1,3 milhão de atendimentos anuais na atenção primária para o manejo da doença.
O Brasil registra aproximadamente 2.000 a 2.500 mortes anuais por asma. A maioria desses óbitos é considerada evitável com tratamento preventivo adequado.
Para o estado o custo é elevado devido ao uso frequente de unidades de pronto atendimento. Pacientes com asma grave, embora sejam uma minoria (cerca de 5 a 10% dos casos), consomem a maior parte dos recursos, pois utilizam emergência 15 vezes mais que pacientes controlados. Em lares de baixa renda, os gastos com medicamentos e deslocamentos para tratar crises podem comprometer mais de 25% da renda familiar.
Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS)
As PICS são abordagens terapêuticas que tem como objetivo prevenir agravos à saúde, a promoção e recuperação da saúde, enfatizando a escuta acolhedora, a construção de laços terapêuticos e a conexão entre ser humano, meio ambiente e sociedade. Atualmente o SUS oferece de forma integral e gratuita, 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) a população. Essas condutas terapêuticas desempenham um papel abrangente no SUS e podem ser incorporadas em todos os níveis da Rede de Atenção à Saúde, com foco especial na Atenção Primária, onde tem grande potencial de atuação. Uma das idéias centrais dessa abordagem é uma visão ampliada do processo saúde e doença, assim como a promoção do cuidado integral do ser humano, especialmente do autocuidado. As indicações às práticas se baseiam no indivíduo como um todo, levando em conta seus aspectos físicos, emocionais, mentais e sociais. Por meio de uma abordagem interdisciplinar, as PICS proporcionam uma perspectiva direcionada para um cuidado continuado, humanizado e abrangente em saúde, ampliando conhecimentos e qualificando profissionais de saúde para garantir oferta segura e de qualidade aos usuários do SUS.
A yoga faz parte das 29 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. A prática é oferecida gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como ferramenta de promoção à saúde e prevenção de agravos. Houve um crescimento de 70% na oferta de PICS (Práticas Integrativas e Complementares em Saúde) no SUS nos últimos anos, ampliando o acesso a terapias que tratam o indivíduo de forma holística, integrando corpo e mente. No contexto das PICS, o yoga é aplicado para transformar a relação do ambiente como doença crônica: Yogaterapia é utilizada como aliada para pacientes com comorbidades, ajudando no controle de sintomas através de técnicas de respiração (pranayamas) e relaxamento. Diferente da prática tradicional focada no equilíbrio geral, a yogaterapia no SUS adapta as técnicas para as necessidades específicas de saúde. A prática contribui para que o paciente dependa menos de medicamentos de resgate, ao aprender a controlar episódios leves de dispnéia e ansiedade pelo controle do ritmo respiratório. A yogaterapia, por exigir baixo investimento em infra estrutura (geralmente apenas um espaço físico e um instrutor), apresenta um alto retorno em bem-estar por real investido. Para a saúde pública, o yoga representa uma intervenção de baixo custo e alta eficácia na melhoria da função pulmonar e na redução de crises evitáveis.
Conclusão
A presente pesquisa demonstrou que a prática sistemática do Yoga, com ênfase nas técnicas de Pranayama como terapia complementar no Manejo da asma brônquica, promove benefícios significativos que transcendem a melhora mecânica da ventilação. A prática respiratória consciente atua de forma significativa na modulação do sistema nervoso autônomo, reduzindo a hiperventilação típica do quadro asmático e promovendo uma respiração diafragmática mais eficiente. Consequentemente, observou-se uma melhora substancial na qualidade de vida e uma diminuição na dependência de medicação de resgate em episódios leves. A pesquisa sugere que a integração dessas técnicas ao cotidiano dos indivíduos não apenas reduz os marcadores fisiológicos de estresse e ansiedade, fatores frequentemente responsáveis pelo desencadeamento de crises asmáticas, mas também potencializa a capacidade de autorregulação emocional e foco cognitivo.
No âmbito da saúde pública, os resultados reforçam a viabilidade do Yoga e do Pranayama como tecnologias de baixo custo e alta resolutividade dentro das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).
Portanto, o Pranayama não deve ser visto apenas como exercício acessório, mas como um pilar central da terapêutica do yoga, capaz de servir como ponte entre o bem estar físico e a saúde mental.
Referências
- Site: GINA – Global Initiative For Asthma
Estratégia global para o controle e prevenção da asma.
Controle da exacerbação da asma - Site: NATH – National Library Of Medicine
Asma comorbidades respiratória - Site: Sience Direct
Ioga para asma: uma revisão sistemática
Efeito da técnica de respiração pranayama no controle da asma, função pulmonar e qualidade de vida. - Site: Gov.br/ saúde
- Apostila Sim Yoga – Pranayama técnica respiratória do yoga





