Menopausa, o portal da sábia!

Quando envelhecemos há dois caminhos a seguir: o da peruíce e o da feitiçaria. Para as peruas, o tempo é um inimigo cruel; para as feiticeiras, é um alido. (Rita Lee)

A vida é feita de ciclos, e cada mudança é motivo de comemoração. Festejamos nascimento, batismo, primeiros passos, formatura, casamento, gravidez e …de repente paramos de celebrar.

O silêncio e até mesmo uma espécie de vergonha se apossam de nós. Permitimos que nossas vidas mergulhem na sombra e na renúncia. Em vez de brindarmos a mais um movimento que nos aproxima da espiritualidade, em vez de nos preparemos e nos alegrarmos com a chegada deste momento, acatamos o tabu, consideramos a menopausa como doença, fim.

A menopausa é fim e começo. É o fim da fertilidade física. Os folículos acabaram, não há mais ovos. A produção hormonal do ovário faliu. O sangue para de descer, mas a energia começa a subir em direção ao infinito. É o começo da fertilidade cósmica, da vida regida para além dos ciclos mensais, da lua e das marés. As energias que antes eram direcionadas para atrair um companheiro e gerar crianças ficam disponíveis para a exploração interior, o serviço à humanidade, a união com o divino. A espiritualidade é um aspecto natural dessa fase, o coração e alma passam a ser atraidos pelo amor incondicional. É uma espcecie de nascimento no campo do espírito, o que merece celebração. Agora a mulher é muito mais que uma fêmea em seu explendor. Tem a chance de se libertar das expectativas e exigências alheias, de experimentar sua autentica identidade. Aprendeu a dizer não e pode, corajosamente, livrar-se de tudo que já saturou, que já não cabe mais.

Tanto os antigos ensinamentos do Ayurveda como os modernos recursos da medicina permitem à mulher madura a manutenção de um corpo jovem, feminino e saudával. Ainda assim ela deve se desapegar da tradicional definição de sexualidade. Os papeis triviais de sedutora e reprodutora, ficaram estreitos,  inadequados.

A educação separa e enfia meninos e meninas, desde muito pequenos em fôrmas sexuais adequadas às exigências de cada época. Este condicinamento de gêneros faz com que as pessoas passem boa parte de suas vidas desempenhando um “papel de mulher” ou “papel de homem”, mais do que sendo simplesmente, mais do que se expressando em termos pessoais, originais.

Acontece que viver só um aspecto da dualidade é viver pela metade.

Mulher e homem tem hormônios femininos e masculinos atuando em seus organismos, assim como tem aspectos psicologicos dos dois sexos. É o que o revolucionário Carl Gustav Jung (1875-1961) definiu como anima (o lado feminino do homem) e animus (o lado masculino da mulher).

A mulher que assume estimula e usa seu aspecto masculino está mais capacitada a realizar suas aspirações fora do lar, como está mais capacitada a conviver melhor com o sexo oposto e aceitá-lo.

Com o declínio dos hormônios femininos a partir da menopausa, a ação dos hormônios masculinos é potencializada no corpo da mulher. Boa oportunidade para ela conhecer e amar seu homem interno, para fortalecer a deteminação, a ação. Quando a mulher vai ao encontro da sua essência mais profunda, naturalmente ela ativa seu animus, a anergia vigorosa, fundamental para perseguir os grandes objetivos.

Texto extraído do livro “ A idade do poder” – Márcia de Luca

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